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O encantamento dos caminhos de Lia, por Letícia Coura

Outro dia ouvi de um historiador que o contrário da vida não é a morte, que traz o mistério e nossa maior transformação rumo ao desconhecido. O contrário da vida é a perda do Encantamento. Partindo dessa imagem, ideia, princípio, lógica, Lia já pode pensar em viver para sempre a partir de seus escritos. Tudo ali é Encantamento, a começar pelos nomes das personagens com que ela vai cruzando pelo Caminho, na verdade a grande personagem de seus diários. O Caminho da transformação, o fim de um ciclo pra começar uma nova vida, um Caminho de iniciação. Entrar na vida adulta? Se recuperar de um coração partido, de ilusões perdidas, e descobrir o porquê de estar aqui, ou quem sabe um grande objetivo pra vida? Ou apenas se abrir para o Encantamento dessa mesma vida, que esse sim, a acompanhará por todo o Caminho pela frente.


Leia a resenha completa de Letícia Coura na Revista Philos

“Abro-te meus caminhos: contos-diários do meu primeiro sertão da caatinga”,
de Lia Rezende Domingues, saiu em 2020 pela La Petite Ferme.

ABRO-TE MEUS CAMINHOS

Resenha de Yago de Bem para o livro “Abro-te meus caminhos: contos-diários do meu primeiro sertão da caatinga”, de Lia Rezende Domingues, que saiu no fim de 2020 pela La Petite Ferme.

Começo este texto estabelecendo que: escrever sobre os manuscritos de memórias de outrem é tarefa complicada. Não há, nesse caso, critérios a serem considerados e julgados como enredo, desenvolvimento de personagens e desfecho. Não há estória; apenas história, e essa não se avalia, se aprecia. Por isso, é importante que saibam todos que li e ouvi “Abro-te Meus Caminhos” com os olhos de uma pessoa que já correu distância imensa, mas para quem o sertão parece mundo de ficção.

De início, acho importante destacar que Lia tem uma escrita única, que, arrisco-me, reflete muito sua própria oralidade, com escolhas muito peculiares, mas muito bem colocadas, de construção e vocábulos. Sua característica que mais me marca e que mais aprecio é quando, na escrita – fora do campo da fala –, Lia faz usos muitos interessantes da caixa alta, quebrando normas explícitas com liberdade quase saramaguiana. Esse estilo em nada afeta o ritmo do texto, mas traz novos significados e não pode ser percebido pela narração uma vez que é inerente ao papel.

Sobre suas memórias, já havia ouvido parte dos relatos e me abstive atônito, sem encontrar comentários a fazer diante de história que achei tão grandiosa. Ler seus escritos é tarefa muito prazerosa: os relatos são lindos e a escrita é gostosa. Para além, me contradigo em partes para dizer que, apesar do caráter bibliográfico e epistolar desses escritos, há, sim, desenvolvimento de personagem: Jaguar. Lia desenvolve ao longo de seus escritos a construção de seu relacionamento com a senhora sertaneja e o amor que se desabrocha; saímos de “minha mineirinha”, passamos por “filha” e desaguamos em emocionada despedida.

Julgo relevante, no entanto, tecer comentários sobre aquilo de que senti falta. Apesar de termos relatos das dificuldades do sertão como falta de água encanada e abuso do mercado financeiro, não há qualquer comentário sobre o que se passa. Aqui, entramos em âmbito muito pessoal, mas sou dos jovens que acreditam na necessidade de recortes específicos. Lia talvez não tenha nesse ponto o seu interesse, deixando explícito em certo momento de seu escrito que não queria se “comprometer com assuntos tão complexos”. Não é, de forma alguma, demérito, mas quando se é fã da literatura Jorge Amado e suas denúncias, sente-se falta desse viés.

Lia nos entrega um texto com muita sensibilidade, Verdade e Coração (com letra maiúscula, perceba) e não se intimida que a acompanhemos em suas mais diversas jornadas. A mineirinha relata sua trajetória com muita deferência e muito carinho, e não hesita em desnudar momentos de dúvidas e de necessidade de se reenergizar para voltar àquela terra que não a pariu. Ao fim e ao cabo, é um texto muito sobre descobertas, primeiras-vezes e espiritualidade aflorada. Caminho que vale a pena ser lido, compartilhado e trilhado. “Volta pra Terra, Fia”.  

                                                                                 yago de bem

                                                                                                            17/01/2021

Dois escritos para voltar ao Sertão

É com muito prazer que anuncio os dois novos lançamentos de La Petite Ferme, editora caseira de guerrilha nascida em 2014.

Livro em formato impresso, versão pocket, com projeto gráfico da autora.

Lançamento dos dois livros de Lia Rezende Domingues no dia 19 de dezembro de 2020: Minha vida com Tê: estudos genealógicos e Abro-te meus caminhos: contos-diários do meu primeiro sertão da caatinga.

Livro em formato digital + audiobook, com produção musical de Igor Visentin.

Sobre os livros:

Edição:
Maria Bitarello
Consultoria editorial: Ulisses Belleigoli
Revisão: Paula Martins Costa
Projeto Gráfico: Lia Rezende Domingues
Produção Musical do audiobook:
Igor Visentin
Voz: Lia Rezende Domingues
Editora: La Petite Ferme

Lia Rezende Domingues, autora dos livros (Foto: Maria Gabriela Matos)

Lia Rezende Domingues é jornalista (Universidade Federal de Juiz de Fora) e designer ecológica (Gaia Education). Trabalhou com comunidades tradicionais, economia popular solidária, a Embrapa e o ICMBio. Peregrina dos sertões, escreve desde pequena. Abro-te meus caminhos: contos-diários do meu primeiro sertão da caatinga e Minha vida com Tê: estudos genealógicos são seus dois primeiros livros.

Consolidando a Agricultura Familiar

Coordenadores da cartilha: Emilie Coudel, Stéphanie Nasuti, Mariana Piva, Beatriz Abreu, Danielle Wagner, Ricardo Folhes.
Apoio científico: Romero Gomes (mapas), Valéria Fechine (estatísticas).
Pesquisadores comunitários: Adriele Gomes, Antônio Lima, Antônio Silva, Camila dos Santos, Darleilson Macedo, Damião dos Santos, Delcilene Caldas, Diana Santos, Edno Fernandes, Elielson Santos, Erica Silva, Franciele dos Santos, Franciney Leal, Francisco Correa Filho, Gabriel Dos Reis, Gilmara Mota, Jefferson Silva, Maelson Dos Reis, Maurenice Paz, Osmar Azevedo, Sávio Araújo.

Edição do texto: Maria Bitarello e Thiago Medaglia (Ambiental Media).
Design: Alessandro Meiguins, Marcos de Lima e Giovana Castro (Shake Design).
Ilustrações: Filipe Almeida (@estudiodumundo).

Para mais informações sobre o observatório Odisseia, consulte: inct-odisseia.i3gs.org.

Iya Shango

Todo tempo é susceptível de virar um tempo sagrado;
a todo momento, a duração pode ser transmudada em eternidade.

In illo tempore, nos tempos míticos, tudo era possível.
Mircea Eliade

A repetição do cotidiano, massacrante a princípio, sublima, pelo cansaço, seus agentes. Gestos e saudações que repetem, ao infinito, o ato criador, a origem da aldeia, da tribo, do mundo. Aldeia: centro do mundo. No ato de cozinhar, de cantar, de reverenciar está sempre, por detrás, o gesto original e criador: o gesto mesmo do divino, que se atualiza no presente através do homem, trazendo o tempo sagrado, o tempo do mito para o tempo profano a qualquer momento, sem aviso, sem censura. Não é só no rito que o tempo sagrado se regenera, mas todos os dias, de novo, e de novo, e de novo.

A série integral saiu na Revista Philos (aqui).
(Rio de Janeiro, Novembro 2020, quarentena de Covid19)

A alegria é subversiva

No dia 5 de agosto de 2018, um ato em defesa do Parque do Bixiga começou no vão do MASP, na Avenida Paulista, em São Paulo, e dali desceu pelas ruas do Bixiga até o Teatro Oficina e o último chão de terra livre do centro de Sampã. Rio-mar, público-atuador, festa na rua, bloco Tarado Ni Você, entidades do teatro, Zé Celso e demarcação de terra sagrada.

A série integral saiu na Revista Philos (aqui).
(Rio de Janeiro, Setembro 2020, quarentena de Covid19)

Cortina de Fumaça

O fogo e o desmatamento estão intrinsecamente relacionados na Amazônia. Em reportagem especial produzida pela Ambiental Media com apoio do Rainforest Journalism Fund, em parceria com o Pulitzer Center, mostramos a forte relação que existe entre esses dois fenômenos, o que torna o desmatamento o principal fator para o aumento dos focos de calor na Amazônia em 2019 e 2020.

Para corroborar essa indissociação, apresentamos mapas interativos, elaborados a partir da análise de dados sobre desmatamento e queimadas nos últimos anos, e também explicamos os diferentes tipos de fogo que ocorrem na Amazônia, cada um com causas, consequências e soluções próprias.

Na plataforma Cortina de Fumaça, texto, fotos, ilustrações e visualização de dados se combinam numa narrativa multimídia para revelar que, tal qual fogo e desmatamento, o futuro da floresta mais biodiversa do planeta e o da humanidade estão atrelados.

*FOTO: Flavio Forner/ Ambiental Media.

Entre aqui pra ler a reportagem completa.
Full story here, in English.

David Alan Harvey vai à praia

Na sexta-feira 13 que antecedeu o carnaval desse ano [2015], passei uma tarde com o fotógrafo David Alan Harvey na praia, no Rio de Janeiro. O que segue abaixo são fotos feitas nesse dia e algumas perguntas respondidas por ele.


A entrevista e a série integrais saíram na Revista Philos (aqui).
(Rio de Janeiro, Setembro 2020, quarentena de Covid19)

Mogol, o ninho da raposa amarela

Na seção de artes visuais da Philos, apresentamos a mostra fotográfica “Mogol: o ninho da raposa amarela”, pelas lentes de Maria Bitarello.

A 33km de Ibitipoca, em Minas, está o arraial do Mogol. Antigamente, 15 casas eram habitadas, havia um bar. Hoje, 9 casas ainda abrigam famílias. A escola fechou. A igreja está de pé. Ela guarda as imagens dos santos que sobreviveram à queda da capela que havia no alto do Pico do Pião, dentro do Parque Estadual do Ibitipoca.

Uma vez por mês, um médico visita o arraial. Pra fazer compras, as famílias esperam o ônibus para Lima Duarte, que sobe a cada 15 dias. Os habitantes do Mogol têm um sotaque próprio; cantado. Gostoso que só. “Aqui é o ninho da raposa amarela”, diz Rita.

Os personagens dessa mostra são Lucinha, Rita e José, Dona Maria (do pão de canela de Ibitipoca) e Josué da cachaça Fortes. Todos os registros foram feitos com uma Canon AE-1/Negativo Kodak Portra 400.

A série integral saiu na Revista Philos (aqui).
(Rio de Janeiro, Julho 2020, quarentena de Covid19)