Das Paredes

VEM AÍ!
Das Paredes: as mulheres, as aventuras e angústias de tijolo em 6 lives.

Mistura de teatro, música, poesia e cinema, o espetáculo Das Paredes está em processo de criação. Interrompido com o começo da pandemia, o trabalho estrearia em maio de 2020, justamente quando chegou a notícia de que teatros e salas de espetáculo ficariam fechados. Agora, quase um ano depois, o projeto para a viabilização da peça foi contemplado pela Lei Aldir Blanc do Estado de São Paulo, no Proac Lab.

A equipe é formada só por mulheres. São as tijolAs-protagonistas, que atuam em cena e nos bastidores, e discutem que paredes são essas, e como derrubá-las.

São elas:
Bia Fonseca (produção)
Brenda Amaral (comunicação)
Cecília Lucchesi (audiovisual e produção gráfica)
Chiris Gomes (música e atuação)
Cris Cortilio (arquitetura cênica)
Gabriela Campos (figurino)
Letícia Coura (direção, música e atuação)
Lúcia Galvão (iluminação)
Maria Bitarello (música e comunicação)
Nana Carneiro da Cunha (música e atuação)
Tetê Purezempla (música e atuação)

Mas de que paredes estamos falando?
Das Paredes que já vieram prontas, das que criamos todos os dias, das que constroem para nós e por nós.

VEM VER QUE TÁ LINDO!

📲TEMPORADA:

15 e 16/03 (segunda e terça), 20h
22 e 23/03 (segunda e terça), 20h
29 e 30/03 (segunda e terça), 20h

🎫Os ingressos são gratuitos, basta reservar o seu em: sympla.com.br/dasparedes

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O encantamento dos caminhos de Lia, por Letícia Coura

Outro dia ouvi de um historiador que o contrário da vida não é a morte, que traz o mistério e nossa maior transformação rumo ao desconhecido. O contrário da vida é a perda do Encantamento. Partindo dessa imagem, ideia, princípio, lógica, Lia já pode pensar em viver para sempre a partir de seus escritos. Tudo ali é Encantamento, a começar pelos nomes das personagens com que ela vai cruzando pelo Caminho, na verdade a grande personagem de seus diários. O Caminho da transformação, o fim de um ciclo pra começar uma nova vida, um Caminho de iniciação. Entrar na vida adulta? Se recuperar de um coração partido, de ilusões perdidas, e descobrir o porquê de estar aqui, ou quem sabe um grande objetivo pra vida? Ou apenas se abrir para o Encantamento dessa mesma vida, que esse sim, a acompanhará por todo o Caminho pela frente.


Leia a resenha completa de Letícia Coura na Revista Philos

“Abro-te meus caminhos: contos-diários do meu primeiro sertão da caatinga”,
de Lia Rezende Domingues, saiu em 2020 pela La Petite Ferme.

ABRO-TE MEUS CAMINHOS

Resenha de Yago de Bem para o livro “Abro-te meus caminhos: contos-diários do meu primeiro sertão da caatinga”, de Lia Rezende Domingues, que saiu no fim de 2020 pela La Petite Ferme.

Começo este texto estabelecendo que: escrever sobre os manuscritos de memórias de outrem é tarefa complicada. Não há, nesse caso, critérios a serem considerados e julgados como enredo, desenvolvimento de personagens e desfecho. Não há estória; apenas história, e essa não se avalia, se aprecia. Por isso, é importante que saibam todos que li e ouvi “Abro-te Meus Caminhos” com os olhos de uma pessoa que já correu distância imensa, mas para quem o sertão parece mundo de ficção.

De início, acho importante destacar que Lia tem uma escrita única, que, arrisco-me, reflete muito sua própria oralidade, com escolhas muito peculiares, mas muito bem colocadas, de construção e vocábulos. Sua característica que mais me marca e que mais aprecio é quando, na escrita – fora do campo da fala –, Lia faz usos muitos interessantes da caixa alta, quebrando normas explícitas com liberdade quase saramaguiana. Esse estilo em nada afeta o ritmo do texto, mas traz novos significados e não pode ser percebido pela narração uma vez que é inerente ao papel.

Sobre suas memórias, já havia ouvido parte dos relatos e me abstive atônito, sem encontrar comentários a fazer diante de história que achei tão grandiosa. Ler seus escritos é tarefa muito prazerosa: os relatos são lindos e a escrita é gostosa. Para além, me contradigo em partes para dizer que, apesar do caráter bibliográfico e epistolar desses escritos, há, sim, desenvolvimento de personagem: Jaguar. Lia desenvolve ao longo de seus escritos a construção de seu relacionamento com a senhora sertaneja e o amor que se desabrocha; saímos de “minha mineirinha”, passamos por “filha” e desaguamos em emocionada despedida.

Julgo relevante, no entanto, tecer comentários sobre aquilo de que senti falta. Apesar de termos relatos das dificuldades do sertão como falta de água encanada e abuso do mercado financeiro, não há qualquer comentário sobre o que se passa. Aqui, entramos em âmbito muito pessoal, mas sou dos jovens que acreditam na necessidade de recortes específicos. Lia talvez não tenha nesse ponto o seu interesse, deixando explícito em certo momento de seu escrito que não queria se “comprometer com assuntos tão complexos”. Não é, de forma alguma, demérito, mas quando se é fã da literatura Jorge Amado e suas denúncias, sente-se falta desse viés.

Lia nos entrega um texto com muita sensibilidade, Verdade e Coração (com letra maiúscula, perceba) e não se intimida que a acompanhemos em suas mais diversas jornadas. A mineirinha relata sua trajetória com muita deferência e muito carinho, e não hesita em desnudar momentos de dúvidas e de necessidade de se reenergizar para voltar àquela terra que não a pariu. Ao fim e ao cabo, é um texto muito sobre descobertas, primeiras-vezes e espiritualidade aflorada. Caminho que vale a pena ser lido, compartilhado e trilhado. “Volta pra Terra, Fia”.  

                                                                                 yago de bem

                                                                                                            17/01/2021

Iya Shango

Todo tempo é susceptível de virar um tempo sagrado;
a todo momento, a duração pode ser transmudada em eternidade.

In illo tempore, nos tempos míticos, tudo era possível.
Mircea Eliade

A repetição do cotidiano, massacrante a princípio, sublima, pelo cansaço, seus agentes. Gestos e saudações que repetem, ao infinito, o ato criador, a origem da aldeia, da tribo, do mundo. Aldeia: centro do mundo. No ato de cozinhar, de cantar, de reverenciar está sempre, por detrás, o gesto original e criador: o gesto mesmo do divino, que se atualiza no presente através do homem, trazendo o tempo sagrado, o tempo do mito para o tempo profano a qualquer momento, sem aviso, sem censura. Não é só no rito que o tempo sagrado se regenera, mas todos os dias, de novo, e de novo, e de novo.

A série integral saiu na Revista Philos (aqui).
(Rio de Janeiro, Novembro 2020, quarentena de Covid19)

David Alan Harvey vai à praia

Na sexta-feira 13 que antecedeu o carnaval desse ano [2015], passei uma tarde com o fotógrafo David Alan Harvey na praia, no Rio de Janeiro. O que segue abaixo são fotos feitas nesse dia e algumas perguntas respondidas por ele.


A entrevista e a série integrais saíram na Revista Philos (aqui).
(Rio de Janeiro, Setembro 2020, quarentena de Covid19)

Mogol, o ninho da raposa amarela

Na seção de artes visuais da Philos, apresentamos a mostra fotográfica “Mogol: o ninho da raposa amarela”, pelas lentes de Maria Bitarello.

A 33km de Ibitipoca, em Minas, está o arraial do Mogol. Antigamente, 15 casas eram habitadas, havia um bar. Hoje, 9 casas ainda abrigam famílias. A escola fechou. A igreja está de pé. Ela guarda as imagens dos santos que sobreviveram à queda da capela que havia no alto do Pico do Pião, dentro do Parque Estadual do Ibitipoca.

Uma vez por mês, um médico visita o arraial. Pra fazer compras, as famílias esperam o ônibus para Lima Duarte, que sobe a cada 15 dias. Os habitantes do Mogol têm um sotaque próprio; cantado. Gostoso que só. “Aqui é o ninho da raposa amarela”, diz Rita.

Os personagens dessa mostra são Lucinha, Rita e José, Dona Maria (do pão de canela de Ibitipoca) e Josué da cachaça Fortes. Todos os registros foram feitos com uma Canon AE-1/Negativo Kodak Portra 400.

A série integral saiu na Revista Philos (aqui).
(Rio de Janeiro, Julho 2020, quarentena de Covid19)

“O tempo das coisas”: lançamento em JF e SP

Quando você vai preparar um chá, tem o tempo de fervura da água, o momento da infusão, a espera pelo resfriamento e só então a ingestão da bebida. Não dá pra mudar a ordem dos fatores nem o tempo que cada um deles demanda. A água só vai ferver a 100 graus C, a erva precisa de alguns minutinhos na água quente pra ser infundida e se você não esperar esfriar vai queimar a língua. As coisas têm seu tempo. E embora os tempos hoje sejam de afobação, o chá ainda toma o tempo que toma pra ficar pronto. E tudo indica que vai continuar sendo assim. Saber disso, no corpo e na alma, é o que eu chamo de sabedoria.

 

Reflexões sobre o tempo são sempre bem-vindas. E também sobre a vida, cujas melhores coisas não são as coisas, propriamente ditas. A tecnologia, a correria, os olhos no relógio, os ouvidos tapados por fones nos isolam de um convívio mais próximo com o outro e de um olhar mais apurado. Não há tempo para parar, olhar e sentir.

Esse tempo que nos falta, no entanto, Maria Bitarello, felizmente o tem. Fabricou-o, optou por ele, priorizou-o e o fez virar livro, para o nosso deleite e transformação. Sim, porque será impossível não sair ao menos minimamente transformado da leitura de O tempo das coisas, sua segunda coletânea de crônicas e primeira a ser lançada pela In Media Res Editora.

São 28 textos que falam de situações banais, cotidianas e de como elas ganham importância quando recebem a devida atenção.

É impecável a reflexão da autora sobre a vida noturna, considerada por ela um ritual de iniciação à vida. E sua percepção sobre o quanto um dedo mindinho quebrado pode atrapalhar nossa rotina numa proporção inimaginável, ao mesmo tempo em que o desprender-se das coisas pode tornar nossos dias bem mais leves.

Numa parada para olhar o entorno, Maria vê que há tanta riqueza filosófica nos escritos de Nietzsche quanto na moradora de rua que se banha na Av. Paulista. E que fotografar, comer o que se quer e resistir ao uso desenfreado dos smartphones podem ser ações libertadoras. Há o envelhecimento, o aborto e a morte vistos e falados com seriedade e serenidade. E o tempo, o grande tesouro dos nossos dias. O tempo que não pode ser abreviado por ser necessário, por significar processo. O tempo da fervura da água e da infusão do chá. O tempo da parada, do olhar, da escrita e da leitura com que Maria generosamente nos brinda.

Confirme sua presença no facebook.

 

Maria Bitarello é mineira. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e mestre em Literatura Luso-Brasileira pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), cresceu entre o Brasil e os Estados Unidos e viveu em Paris antes de se estabelecer em São Paulo, em 2012. É escritora, tradutora e jornalista e, desde 2015, trabalha no Teatro Oficina.

 

Ilustração da capa: Praça Roosevelt, by Letícia Coura

Os modernistas se divertem

Pagu (Nash Laila), Av. Paulista, 8 de março 2018

Pagu (Nash Laila), Tarsila do Amaral (Letícia Coura) e Heloísa de Lesbos (Sylvia Prado), Av. Paulista, 8 de março 2018

Tarsila do Amaral (Letícia Coura) e Heloísa de Lesbos (Sylvia Prado), Av. Paulista, 8 de março 2018

Tarsila do Amaral (Letícia Coura) e Pagu (Nash Laila), Av. Paulista, 8 de março 2018

Tarsila do Amaral (Letícia Coura) e Pagu (Nash Laila), Av. Paulista, 8 de março 2018

Renée Gumiel (Gabi Campos), Av. Paulista, 8 de março 2018

Tarsila do Amaral (Letícia Coura), Av. Paulista, 8 de março 2018

Vera Valdez como ela mesma, diva – Av. Paulista, 8 de março 2018

O homem amarelo (de Anita Malfatti) – Túlio Starling, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Dayse (Nash Laila), Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

O homem amarelo (de Anita Malfatti) – Túlio Starling, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Tarsila do Amaral (Letícia Coura) ao cavaquinho, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Yan de Almeida Prado (Isabela), Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Pintura de Anitta Malfatti – Joana Medeiros, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Pintura de Anitta Malfatti e seu boy – Joana Medeiros e Gabi Campos, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Personagens de pinturas de Anitta Malfatti – Grande encontro – Túlio Starling e Joana Medeiros, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Modernistas Futebol Clube: boy Carina Iglecias (ao fundo), Homem amarelo (Túlio Starling), Glória, a professora de piano lésbica (Cynthia Monteiro), modernista não identificada (Clarisse Johansson), boy (Gabi Campos), modernista não identificada 2 (Sylvia Prado), pintura da Anita Malfatti (Joana Medeiros), Yan de Almeida Prado (Isabela) e Tarsila do Amaral (Letícia Coura) – Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

8 de março, na Av. Paulista e 27 de março,
no Largo do Paissandu – São Paulo – Brasil 2018
Canon AE-1 / Kodak Portra 400
by Maria Bitarello

Minimalismo contra o capitalismo

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Por quase 3 anos, morei em casal em uma quitinete de 24m2, no último andar de um predinho em Paris. Um cômodo, uma cozinha separada por uma parede, um banheiro. Na cozinha, uma placa elétrica de duas bocas, um pequeno forno também elétrico, um mini-frigobar, pia simples, pouco espaço pra utensílios e também pra comida. As compras eram feitas gradualmente e repostas à medida que eram comidas; não dava pra estocar nada. Pra cozinhar, era preciso ir lavando, secando e liberando a única superfície sobre a pia que servia tanto pro escorredor quanto pra tábua. O quarto era simbolicamente dividido por uma estante; de um lado a cama, do outro a mesa de trabalho, tipo escritório. Havia uma poltrona, uma luminária, um violão, livros, um espelho, uma cortina separando a cozinha. O guarda-roupa embutido tinha três portas baixas; uma delas pra mim. E só. Todas as minhas roupas estavam no espaço de arara que me cabia ali naquela porta, algumas dobradas embaixo, um único par de botas pra todas as ocasiões. No térreo, uma bicicleta. O aluguel era barato, o bairro delicioso, a vida descomplicada.

Para continuar lendo, veja a coluna no site Outras Palavras.