Escrever foi se tornando progressivamente mais difícil. Ao contrário de múltiplas faculdades mundanas que conforme a prática e acúmulo de experiência tornam-se mais fáceis, escrever não obedece às mesmas leis. Lembra a superação de um amor que chegou ao fim; ter vivido uma, duas, três vezes uma separação não nos ensina como fazê-lo na próxima. O que funcionou no fim do último rompimento ou na escrita última não funciona mais agora.
Em abril de 2014, fui ao Jet Propulsion Lab – JPL – da NASA em Pasadena, ao norte de Los Angeles, na Califórnia (EUA), para realizar entrevistas com Erika Podest e Ralph Basilio, que geraram as duas reportagens que você lê aqui abaixo. Fui acompanhada de meu amigo Robert Vaindiner, que fez as fotos. As reportagens – “Estamos vendo a terra suar” e “A vigia do CO 2” – foram ambas publicadas dentro do app AgriSustenta, que o Planeta Sustentável (extinta plataforma de comunicação e sustentabilidade da Editora Abril pra qual trabalhava) e a National Geographic Brasil (pra qual também trabalhava) colocaram no ar juntas naquele ano.
O JPL é o centro de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia da NASA – não é de onde se lançam os foguetes (esses saem da Flórida, no Cabo Canaveral). Trata-se da principal instituição estadunidense responsável pela concepção, construção e operação de sondas espaciais robóticas e rovers que exploram o Sistema Solar. Ou seja, foi do caralho ir até lá, só digo isso. Abaixo, umas fotos do Robert e as duas reportagens ao final.
Obrigada a meu amigo e então chefe Matthew Shirts, por me haver confiado essa honra de trabalho.
*A situação de crise climática piorou bastante de lá pra cá, então não se espante se os textos hoje soarem menos alarmistas que o esperado.
Universidade Antropófaga 2015 – 2ª Dentição Em Julho de 2015, entrei na segunda dentição da Universidade Antropófaga do Teatro Oficina. A universidade é o método de transmissão de conhecimentos e práticas do Oficina, como definimos na época num belo site criado e já extinto. Funciona assim: de tempos em tempos, Teatro Oficina abre um processo de inscrição para artistas de todos os cantos e tipos. Uma leva é selecionada para viver uma espécie de residência na Jaceguai 520. Trata-se de uma ideia que nasceu com o projeto Bixigão, que foi o trabalho do Oficina no bairro do Bixiga, na época de montagem do épico Os Sertões.
Participação no podcast “Complexo”, da editora Varanda, para o clube de leitura Os Livros Que Elas Escrevem.
O clube de leitura “Os livros que elas escrevem” nasceu para aproximar leitores homens de livros escritos por mulheres. Já sabemos que os homens muito raramente leem em grupo e que costumam, conscientemente ou não, optar por autores homens; a iniciativa, então, surge para fazer um movimento em outra direção. Os encontros foram mediados por Ulisses Belleigoli, anfitrião da Varanda, contador de histórias e psicanalista.
Neste episódio, Laís Cerqueira, anfitriã da Varanda, conversa com as autoras cujas obras foram lidas no clube.
📖 Órion, de Ana Clara Loureiro (Cacareco) — ebook disponível na Amazon.
Livros indicados pelas autoras:
Então é isso?!, de Letícia Coura Fluxo-floema, de Hilda Hilst Escrever, de Marguerite Duras Autobiografia do vermelho, de Anne Carson Meridiana, de Eliana Alves Cruz A ilha das afeições, de Patrícia Lino O fio invisível dos dias, de Mariana Imbelloni
A primeira montagem do Teatro Oficina da qual participei foi a de “Mistérios Gozósos”, feita a partir do poema “O Santeiro do Mangue”, de Oswald de Andrade. O ano era 2015 e eu estava no meio da segunda dentição da Universidade Antropófaga – método de transmissão de prática e conhecimento do Oficina –, que naquele ano durou seis meses e culminou no Bloco Pau Brasil, no Carnaval de 2016. No meio do caminho, em Novembro, iniciaram-se os ensaios com o Zé e eu fui absorvida pelo processo, para minha sorte, traduzindo o texto para o inglês e, futuramente na temporada, operando as legendas ao vivo. Chegava no teatro de tarde para a Universidade e saía de lá 12 horas depois, de madrugada, quando acabava o ensaio. Quatro dias por semana de Universidade, seis de ensaios.
O Ministério do Turismo indiano adota essa alcunha adorável. O nome do site oficial desse ministério é, de fato, Incredible India, Índia inacreditável. Descobri isso em minha primeira viagem ao país, em Outubro de 2012, para a COP 11, a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica. A série aqui apresentada traz pessoas e lugares dessa Hyderabad, que esteve sob domínio muçulmano por muitos séculos – e isso se reflete em sua arquitetura e fortificações –, seus bazares e sua efusiva venda de pérolas. Foi minha primeira vez fotografando a abertura solar e singular desse povo carinhoso a seus visitantes estrangeiros. Tenho uma certa nostalgia vendo essas fotos pela inocência que ainda havia em mim, nos fotografados e no mundo.
Agora deixamos Katmandu e o entorno de Boudhanath Stupa, passamos por Bandipur e seguimos pelas estradas sinuosas que separam Katmandu de Pokhara, cidade quase balneário à beira do Lago Fewa e aos pés de Sarangkot, um pico baixo para os padrões dos Himalaias e do topo do qual se vê uma vasta extensão dessa formação rochosa que ocupa mais da metade do país e também o próprio lago, como quem olha uma piscina de cima. Apesar dos picos sempre gelados e nevados dos Himalaias, Pokhara tem uma temperatura amena, árvores verdes e ruas encharcadas de lama. Ali passei a maior parte de minha estadia no Nepal.
Em 2014, parti para uma viagem profunda e inesquecível de 6 seis semanas no Nepal. Durante as próximas semanas, vou publicar uma sequência de séries fotográficas dessa viagem ao teto do mundo. A maioria delas feita em formato 120mm, algumas em 35mm. Essa semana começo com a vida no entorno de Boudhanath Stupa, o templo budista mais importante do mundo fora do Tibete e principal destinação de budistas de todas as partes –dado que o acesso Lhasa é quase impossível. Além dos monges de várias idades e múltiplos mosteiros ali próximo e também dos milhares de fiéis que se movem como um cardume em torno do axis mundi de Boudha, ali, como em qualquer lugar, pulsa também uma vida cotidiana e ordinária. Tem feira, gente indo trabalhar, vacas, cachorros, crianças, lojas de bugingangas, malandros espertos esperando para extorquir algum turista inocente e o mercado que gira em torno da fé.
Em abril de 2014, na primavera do hemisfério norte, viajei pelo deserto da Califórnia a bordo de um Volvo 1992. A série fotográfica que nasceu dessa viagem foi batizada com o nome que se dá à região desértica a leste de Los Angeles e que ganhou notoriedade com a frequentação do Rat Pack. O grupo de artistas tinha entre seus membros ilustres Frank Sinatra, Sammy Davies Jr., Judy Garland, Lauren Bacall, Dean Martin, Shirley MacLaine, Peter Lawford e Joey Bishop e fazia farras que entraram para a história das depauperadas cidades-casino do vale desértico. Graças a eles a região adquiriu um certo prestígio, ainda que decadente. Décadence avec éllégance.