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Unprofessional artist

Karma-Cola

holiEntregar-se para vencer” é o título de uma crônica que escrevi há quase 5 anos. A frase não é minha. Tirei-a do livro Shantaram, de Gregory David Roberts, que lia na época. Foi pouco antes de ir à Índia pela primeira vez. Três viagens depois, lembrei-me dessa crônica. Porque a resistência vem me parecendo uma força inútil e, lá, entregar-se é um ato de sobrevivência. A cada vez que volto ao país, essa frase ganha mais corpo e se transforma numa espécie de fé.

Não vou aqui ficar fazendo pregações sobre a cultura espiritual indiana. Sim, a espiritualidade está por toda parte, sagrado e profano tudo junto e misturado, e isso é maravilhoso em muitos momentos, mas o karma-cola não é meu forte.

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Women by the water

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Dashashwamedh Ghat, Vanarasi, India
December 2016 | Photos by Maria Bitarello
Canon AE-1 / Retro Chrome 320 (positive/expired)

Rabiscando Mumbai

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The Yoga Institute, Bandra, Mumbai, India – 31/12/16

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Birdsong Café, Bandra, Mumbai, India – 1/1/17

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Chaayos, Bandra, Mumbai, India – 5/1/17

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Chaayos, Bandra, Mumbai, India – 6/1/17

A arte de morrer

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Manikarnika Ghat, Varanasi, Índia

Um dos momentos mais importantes em “Bacantes”, na montagem do Teatro Oficina a partir do texto de Eurípedes, é o estraçalhamento do corpo de Penteu. Um ato indissociável da entrega de Penteu a seu fim. De certa forma, é a consumação da tragédia, o ato em que o antagonista compreende e aceita seu papel. A cena é violenta e bela. Desse ritual de morte, todos são convidados a participar. Primeiro, do estraçalhamento, depois, do banquete onde Penteu será comido pelas bacantes, pelos tebanos, por todos nós; o momento da festa. Assim como todos ali presentes, Penteu percebe a situação em que se encontra, reconhece o inescapável – a morte, ali, pelas mãos delas – e abre os braços. Não resiste. Recebe. E morre.

Em dezembro, antes do fim da temporada de “Bacantes”, voltei a Varanasi, na Índia – a mais importante das cidades sagradas hindus e uma das mais antigas do mundo – e me lembrei o quão insípidos são os rituais de morte em muitas culturas.

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Dos hábitos da leitura

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“Fora o cachorro, o livro é o melhor amigo do homem.
Dentro do cachorro é muito escuro para ler.”
Groucho Marx

Às vésperas de uma viagem internacional me pego pensando sobre os livros que levarei. Não me adaptei aos e-books, e sei que numa situação como essa eu poderia levar dezenas de tomos ocupando o espaço de uma antiga calculadora. Mas eu sou old school e levo o livrão mesmo. A meu favor, tenho o desapego do objeto “livro” uma vez concluída a leitura. O fetiche não reside em colecioná-los, embora eu tenha centenas deles. O deleite está na leitura em papel. Uma vez lido, prefiro pensar nele chegando às mãos de outra pessoa, assim como aprecio receber um livro usado. O objeto vem e vai carregado de significado e, mais que isso, de histórias.

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Relatos de uma endoscopia bem-sucedida

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Inspirada em minhas recentes aventuras numa clínica no Alto da Lapa, em São Paulo, misturada a outras vividas em outras clínicas, em Minas Gerais – aliadas a um desejo agora declarado de que as “viagens” com supervisão médica fossem uma prática de lazer e entretenimento –, apresento aqui os relatos de uma paciente de um dos grandes males do século: a gastrite (e suas derivações gástricas, como refluxo, esofagite, úlcera e afins). Segundo informações de internet nada precisas, o Omeprazol – remédio usado em tratamentos gástricos – é um dos medicamentos mais consumidos no mundo e mais da metade da população mundial será afetada pela gastrite em algum momento da vida, com as chances aumentando à medida que os anos se acumulam. Proponho, portanto, aos sofredores gástricos que nos unamos! Somos a maioria ácida e dolorida! Que encontremos algum prazer na dor!

Agora, o relato:

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Só não seremos fofas

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By Laerte

Aprendi um termo novo esses dias: conformidade de gênero. Não tinha o vocabulário correto, mas a sensação, sim, claro. Há mulheres mais ou menos de acordo com o que se espera delas, assim como há homens considerados masculinos o bastante – ou não. Se sua intuição está agora te dizendo que quem tem maior conformidade de gênero só pode ser a mulher cis heterossexual, por exemplo, volte duas casas. Não necessariamente. A mulher trans pode ser muito mais lady. Conformidade de gênero, segundo aprendi, não tem a ver com orientação sexual nem com identidade de gênero, mas sim com o que se espera do comportamento social do seu gênero. Ou seja, quão feminina ou masculino é você?

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Congada São Benedito de Gonçalves

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Congada São Benedito de Gonçalves.
Gonçalves, Minas Gerais, Brasil – julho 2016.
Photos by Maria Bitarello.
Canon AE-1 / Kodak 400 TX

Classe média: o fetiche do igual

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Há uns anos ouvi um
podcast de rádio americana, não me lembro mais qual, em que o entrevistado daquele dia dizia que o fator determinante da pobreza – econômica, não de espírito – é a possibilidade de escolha. O pobre, dizia o entrevistado que também o era, muito mais do que carecer de coisas, pertences, bens, é privado de escolhas, de alternativas. E, salvo as exceções que sempre existem, a vida lhe impõe um caminho, muitas vezes sem bifurcações no percurso. O que o dinheiro compra, portanto, segundo o tal entrevistado, são escolhas. Fiquei pensando sobre isso muito tempo. Claro que se trata de uma dentre tantas formas possíveis de interpretação e que, de certo, é limitada. Mas vamos seguir nessa via, limitada que seja. Porque acho que ela traz insights.

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Vamos falar sobre o que ninguém quer falar

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Imagem: Edgar Degas, Jovens Espartanas (1860)

Nas artes, mulheres com tesão costumam se dar mal. Sem trocadilho. Na literatura, no cinema, na música. Veja os romances do século XIX, obcecados pela infidelidade. Neles, as mulheres sexualmente vivas ou morrem ou enlouquecem (e depois morrem). Madame Bovary, Anna Karenina, O crime do padre Amaro, a lista é longa. No filme Ninfomaníaca, de Lars von Trier, a personagem pratica uma miríade de atividades sexuais com dezenas de homens, mas o que fecha a tampa do caixão não são as preliminares da dupla penetração e, sim, o abandono do lar pela ninfa que, em nome do prazer, larga a família com criança e tudo pra perseguir o gozo. O que de pior uma mulher pode fazer além de abandonar a prole? Matá-la, talvez. Já quando um homem abandona a cria nem fofoca de bairro vira mais. É vida que segue. E o que dizer da pobre e maldita Geni, do Chico Buarque? Se fu. Claro. Deu pra geral e levou pedradas e cusparadas.

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