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Unprofessional artist

Fotografando mulheres

Letícia Coura

Fotografar mulheres é diferente de fotografar homens?” Meu amigo indiano me perguntou isso ao ver essa série de fotos que fiz em Varanasi, na Índia, em dezembro passado. “Sim”, respondi, “assim como é diferente fotografar – mulheres ou homens – na Índia, no Brasil, no Benim”. Em minha mais recente viagem à Ásia, decidi lançar a mim mesma o desafio de fotografar apenas mulheres. Foi um desafio e tanto. Cheguei a pensar em desistir. E por isso mesmo a pergunta do meu amigo indiano (e fotógrafo), sem que ele soubesse, foi tão pertinente. Porque, sim, é muitíssimo diferente fotografar mulheres e homens na Índia.

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A day in the life of a schoolgirl in Bombay

… (and a couple of schoolboys) …

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Natwar Nagar Public School, Mumbai/Bombay, India
January 2017 | Photos by Maria Bitarello
Canon AE-1 / Retro Chrome 320 (positive/expired)

Karma-Cola

holiEntregar-se para vencer” é o título de uma crônica que escrevi há quase 5 anos. A frase não é minha. Tirei-a do livro Shantaram, de Gregory David Roberts, que lia na época. Foi pouco antes de ir à Índia pela primeira vez. Três viagens depois, lembrei-me dessa crônica. Porque a resistência vem me parecendo uma força inútil e, lá, entregar-se é um ato de sobrevivência. A cada vez que volto ao país, essa frase ganha mais corpo e se transforma numa espécie de fé.

Não vou aqui ficar fazendo pregações sobre a cultura espiritual indiana. Sim, a espiritualidade está por toda parte, sagrado e profano tudo junto e misturado, e isso é maravilhoso em muitos momentos, mas o karma-cola não é meu forte.

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Women by the water

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Dashashwamedh Ghat, Vanarasi, India
December 2016 | Photos by Maria Bitarello
Canon AE-1 / Retro Chrome 320 (positive/expired)

Rabiscando Mumbai

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The Yoga Institute, Bandra, Mumbai, India – 31/12/16

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Birdsong Café, Bandra, Mumbai, India – 1/1/17

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Chaayos, Bandra, Mumbai, India – 5/1/17

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Chaayos, Bandra, Mumbai, India – 6/1/17

A arte de morrer

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Manikarnika Ghat, Varanasi, Índia

Um dos momentos mais importantes em “Bacantes”, na montagem do Teatro Oficina a partir do texto de Eurípedes, é o estraçalhamento do corpo de Penteu. Um ato indissociável da entrega de Penteu a seu fim. De certa forma, é a consumação da tragédia, o ato em que o antagonista compreende e aceita seu papel. A cena é violenta e bela. Desse ritual de morte, todos são convidados a participar. Primeiro, do estraçalhamento, depois, do banquete onde Penteu será comido pelas bacantes, pelos tebanos, por todos nós; o momento da festa. Assim como todos ali presentes, Penteu percebe a situação em que se encontra, reconhece o inescapável – a morte, ali, pelas mãos delas – e abre os braços. Não resiste. Recebe. E morre.

Em dezembro, antes do fim da temporada de “Bacantes”, voltei a Varanasi, na Índia – a mais importante das cidades sagradas hindus e uma das mais antigas do mundo – e me lembrei o quão insípidos são os rituais de morte em muitas culturas.

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Dos hábitos da leitura

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“Fora o cachorro, o livro é o melhor amigo do homem.
Dentro do cachorro é muito escuro para ler.”
Groucho Marx

Às vésperas de uma viagem internacional me pego pensando sobre os livros que levarei. Não me adaptei aos e-books, e sei que numa situação como essa eu poderia levar dezenas de tomos ocupando o espaço de uma antiga calculadora. Mas eu sou old school e levo o livrão mesmo. A meu favor, tenho o desapego do objeto “livro” uma vez concluída a leitura. O fetiche não reside em colecioná-los, embora eu tenha centenas deles. O deleite está na leitura em papel. Uma vez lido, prefiro pensar nele chegando às mãos de outra pessoa, assim como aprecio receber um livro usado. O objeto vem e vai carregado de significado e, mais que isso, de histórias.

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Relatos de uma endoscopia bem-sucedida

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Inspirada em minhas recentes aventuras numa clínica no Alto da Lapa, em São Paulo, misturada a outras vividas em outras clínicas, em Minas Gerais – aliadas a um desejo agora declarado de que as “viagens” com supervisão médica fossem uma prática de lazer e entretenimento –, apresento aqui os relatos de uma paciente de um dos grandes males do século: a gastrite (e suas derivações gástricas, como refluxo, esofagite, úlcera e afins). Segundo informações de internet nada precisas, o Omeprazol – remédio usado em tratamentos gástricos – é um dos medicamentos mais consumidos no mundo e mais da metade da população mundial será afetada pela gastrite em algum momento da vida, com as chances aumentando à medida que os anos se acumulam. Proponho, portanto, aos sofredores gástricos que nos unamos! Somos a maioria ácida e dolorida! Que encontremos algum prazer na dor!

Agora, o relato:

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Só não seremos fofas

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By Laerte

Aprendi um termo novo esses dias: conformidade de gênero. Não tinha o vocabulário correto, mas a sensação, sim, claro. Há mulheres mais ou menos de acordo com o que se espera delas, assim como há homens considerados masculinos o bastante – ou não. Se sua intuição está agora te dizendo que quem tem maior conformidade de gênero só pode ser a mulher cis heterossexual, por exemplo, volte duas casas. Não necessariamente. A mulher trans pode ser muito mais lady. Conformidade de gênero, segundo aprendi, não tem a ver com orientação sexual nem com identidade de gênero, mas sim com o que se espera do comportamento social do seu gênero. Ou seja, quão feminina ou masculino é você?

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Congada São Benedito de Gonçalves

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Congada São Benedito de Gonçalves.
Gonçalves, Minas Gerais, Brasil – julho 2016.
Photos by Maria Bitarello.
Canon AE-1 / Kodak 400 TX