Bicicleta lifestyle

Esses dias fiquei pensando que o tuk-tuk é, pra uma cidade indiana, o que a carroça é (ou foi) no ambiente rural. O que a charrete foi no século 19. O que talvez as bigas tenham sido na Roma antiga. Um meio de transporte que te permite deslocar-se enquanto interage e observa o entorno de outro ângulo, em outra velocidade, mas ainda assim, em proximidade dos demais. O tuk-tuk, mesmo motorizado como é hoje, me parece ser um sobrevivente desse contato no trânsito que ainda era pessoal. E o que me veio à cabeça e ao coração todas as vezes que entrei num tuk-tuk na minha última viagem à Índia, há poucos meses, foi a bicicleta. Eles têm uma vibe parecida. Você tá ali, no corpo-a-corpo. Sobre rodas, mas ao ar livre. O trânsito apertado. O calor do escapamento dos carros. As pessoas a pé. Tudo muito perto. Olho no olho.

Para continuar lendo, veja a coluna no site Outras Palavras.

A arte de morrer

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Manikarnika Ghat, Varanasi, Índia

Um dos momentos mais importantes em “Bacantes”, na montagem do Teatro Oficina a partir do texto de Eurípedes, é o estraçalhamento do corpo de Penteu. Um ato indissociável da entrega de Penteu a seu fim. De certa forma, é a consumação da tragédia, o ato em que o antagonista compreende e aceita seu papel. A cena é violenta e bela. Desse ritual de morte, todos são convidados a participar. Primeiro, do estraçalhamento, depois, do banquete onde Penteu será comido pelas bacantes, pelos tebanos, por todos nós; o momento da festa. Assim como todos ali presentes, Penteu percebe a situação em que se encontra, reconhece o inescapável – a morte, ali, pelas mãos delas – e abre os braços. Não resiste. Recebe. E morre.

Em dezembro, antes do fim da temporada de “Bacantes”, voltei a Varanasi, na Índia – a mais importante das cidades sagradas hindus e uma das mais antigas do mundo – e me lembrei o quão insípidos são os rituais de morte em muitas culturas.

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Como prosperar pela transparência e diversidade

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Tim Jackson é um homem corajoso com uma ideia ousada: prosperidade não é sinônimo de crescimento.  Para fazer esse conceito valer e não pregar para os convertidos, os resultados da pesquisa conduzida por ele não foram apresentados na Universidade de Surrey, onde é professor de Desenvolvimento Sustentável e coordena o Grupo de Pesquisa em Estilos de Vida Sustentável. O trabalho virou o livro “Prosperidade Sem Crescimento – Vida Boa em um Planeta Finito” e foi encomendado pelo governo britânico ao economista ambiental na época em que era integrante da Comissão de Desenvolvimento Sustentável do Reino Unido. E os resultados foram:

1)   Crescimento econômico constante não garante felicidade;
2)   Os recursos do planeta são finitos;
3)   A ganância humana, aparentemente, não tem fim.

Da Inglaterra, onde vive, Tim Jackson conversou sobre diversidade no ambiente de trabalho, produtividade e felicidade, igualdade de direitos dos homens e das mulheres, violações éticas de multinacionais e motivos para se manter otimista. Mudar, segundo ele, não é só preciso; é possível.

Leia a entrevista completa com Tim Jackson que
foi publicada na Design de Causas em 2015.

 

What is Poetry?

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O piano do pai dela

Tão longe, tão perto
Tão dúbio, tão certo
Fechado e aberto
Vazio, (in)completo

Licor e piano
Mutantes e Caetano
Cigarro com café
E palavras e gestos e risos e fé

No tempo, no vento
No riso, no risco
No amor, na dor, na cor, no que for
Fé em Má e em Rô

Tão perto, tão certo
Tão perto, aperta
Tão longe é incerto
Tão súbito, desperta

É mesmo frágil, pois que livre e leve
Tão solto que afina como desafina
Algo que não se mede, não se pede ou que se negue
Sem você não encontro a rima
De duas – uma e mais uma menina

Por enquanto, é verdade
Já que sem pedras da cidade, da ansiedade, da vontade, da vaidade, da idade
Meninas que somos, meninas que fomos
Temos a amizade, a liberdade, a cumplicidade, a saudade

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« Todo tempo é susceptível de virar um tempo sagrado;
a todo momento, a duração pode ser transmudada em eternidade. »
« In illo tempore, nos tempos míticos, tudo era possível. »
Mircea Eliade

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A repetição do cotidiano, massacrante a princípio, sublima, pelo cansaço, seus agentes. Gestos e saudações que repetem, ao infinito, o ato criador, a origem da aldeia, da tribo, do mundo. Aldeia : centro do mundo. No ato de cozinhar, de cantar, de reverenciar está sempre, por detrás, o gesto original e criador : o gesto mesmo do divino, que se atualiza no presente através do homem, trazendo o tempo sagrado, o tempo do mito para o tempo profano a qualquer momento, sem aviso, sem censura. Não é só no rito que o tempo sagrado se regenera, mas todos os dias, de novo, e de novo, e de novo.

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As crianças, assim que saem das costas das mães, andam em bando, uma comunidade de infantes que garantem eles próprios seus cuidados. A princípio nus, depois vestidos; primeiro dormindo nas costas da mãe, depois na da irmã ou prima ou vizinha ou nenhuma delas, por fim andando, correndo. As mulheres estão sempre a trabalhar, costas arqueadas em direção ao chão, na limpeza, na cozinha, incessantes e incansáveis provedoras que buscam água, acendem o fogo. Os homens agraciam-se, uns aos outros, com o carinho e o toque que não se vê entre um homem e uma mulher, um homem e suas mulheres. Observam, da sombra. Homens que são.

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Na perfeita ordem do universo, que do caos de suas partículas restabelece o sentido, elimina o sobressalente, realinha os elementos. Caos, como um átomo visto de fora, elétrons a se chocarem, um centro nuclear inatingível, e a energia entre os dois. Alguns elétrons que são bombardeados para fora da unidade, nucléolos em explosão, convulsão, catarse. O som percussivo pulsa, bate, ataca, repele, seduz, conduz, alucina, sublima. Cala.

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Desfaz-se o centro, dissipa-se a energia. E de repente o caos parecia muito mais coreografado que a apatia que se segue, olhares que voltam-se uns para os outros, tambores silenciosos, corpos sem espasmos, poeira assentada, Céu e Terra desgarrados. A energia – puf! – sumiu, não está mais ali. Está em todo lugar, está em outro lugar. A vivência do divino é tão real quanto a terra vermelha embaixo das unhas. Vivência para uns, testemunho para outros. Como foi ontem e será amanhã, desde sempre, para sempre, como sempre, não se conta o tempo. Há quem esteja, mas aqui é.

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Kétou é o centro do mundo.

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Photographed in Kétou, Benin, in January 2009.

Photos by
Maria Bitarello and Fábio Nascimento.
Texto: Maria Bitarello
A film by Nuno Aires.
Sound by Camille Barrât.

Exhibition at Galérie Goutte de Terre,
in Paris, in the spring of 2011.

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Pontos de venda:
Outras Palavras
Livraria Cultura

Ebook: Editora Ficções | Livraria Saraiva

Lançamento em RJ, SP e JF do livro “Só sei que foi assim”

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