
Esse texto foi publicado na revista “Viagem e Turismo”, de março de 2016.

Esse texto foi publicado na revista “Viagem e Turismo”, de março de 2016.
Tão longe, tão perto
Tão dúbio, tão certo
Fechado e aberto
Vazio, (in)completo
Licor e piano
Mutantes e Caetano
Cigarro com café
E palavras e gestos e risos e fé
No tempo, no vento
No riso, no risco
No amor, na dor, na cor, no que for
Fé em Má e em Rô
Tão perto, tão certo
Tão perto, aperta
Tão longe é incerto
Tão súbito, desperta
É mesmo frágil, pois que livre e leve
Tão solto que afina como desafina
Algo que não se mede, não se pede ou que se negue
Sem você não encontro a rima
De duas – uma e mais uma menina
Por enquanto, é verdade
Já que sem pedras da cidade, da ansiedade, da vontade, da vaidade, da idade
Meninas que somos, meninas que fomos
Temos a amizade, a liberdade, a cumplicidade, a saudade
Created, written and directed by Alfredo Brant.
« Todo tempo é susceptível de virar um tempo sagrado;
a todo momento, a duração pode ser transmudada em eternidade. »
« In illo tempore, nos tempos míticos, tudo era possível. »
Mircea Eliade
A repetição do cotidiano, massacrante a princípio, sublima, pelo cansaço, seus agentes. Gestos e saudações que repetem, ao infinito, o ato criador, a origem da aldeia, da tribo, do mundo. Aldeia : centro do mundo. No ato de cozinhar, de cantar, de reverenciar está sempre, por detrás, o gesto original e criador : o gesto mesmo do divino, que se atualiza no presente através do homem, trazendo o tempo sagrado, o tempo do mito para o tempo profano a qualquer momento, sem aviso, sem censura. Não é só no rito que o tempo sagrado se regenera, mas todos os dias, de novo, e de novo, e de novo.
As crianças, assim que saem das costas das mães, andam em bando, uma comunidade de infantes que garantem eles próprios seus cuidados. A princípio nus, depois vestidos; primeiro dormindo nas costas da mãe, depois na da irmã ou prima ou vizinha ou nenhuma delas, por fim andando, correndo. As mulheres estão sempre a trabalhar, costas arqueadas em direção ao chão, na limpeza, na cozinha, incessantes e incansáveis provedoras que buscam água, acendem o fogo. Os homens agraciam-se, uns aos outros, com o carinho e o toque que não se vê entre um homem e uma mulher, um homem e suas mulheres. Observam, da sombra. Homens que são.
Na perfeita ordem do universo, que do caos de suas partículas restabelece o sentido, elimina o sobressalente, realinha os elementos. Caos, como um átomo visto de fora, elétrons a se chocarem, um centro nuclear inatingível, e a energia entre os dois. Alguns elétrons que são bombardeados para fora da unidade, nucléolos em explosão, convulsão, catarse. O som percussivo pulsa, bate, ataca, repele, seduz, conduz, alucina, sublima. Cala.
Desfaz-se o centro, dissipa-se a energia. E de repente o caos parecia muito mais coreografado que a apatia que se segue, olhares que voltam-se uns para os outros, tambores silenciosos, corpos sem espasmos, poeira assentada, Céu e Terra desgarrados. A energia – puf! – sumiu, não está mais ali. Está em todo lugar, está em outro lugar. A vivência do divino é tão real quanto a terra vermelha embaixo das unhas. Vivência para uns, testemunho para outros. Como foi ontem e será amanhã, desde sempre, para sempre, como sempre, não se conta o tempo. Há quem esteja, mas aqui é.
Kétou é o centro do mundo.
Photographed in Kétou, Benin, in January 2009.
Photos by
Maria Bitarello and Fábio Nascimento.
Texto: Maria Bitarello
A film by Nuno Aires.
Sound by Camille Barrât.
Exhibition at Galérie Goutte de Terre,
in Paris, in the spring of 2011.


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Olá!
é com um misto de satisfação, alívio e esperança que envio a todos – por enquanto – apenas o save the date para o lançamento de meu primeiro livro:
Só Sei Que Foi Assim.
Reservem esta data e planeje para, se possível, estarem em Juiz de Fora, MG onde será a celebração.
31 de julho de 2014
às 19h30, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas
Por favor, compartilhem livremente este save the date com quem e da forma que desejarem! Facebook, twitter, email, correios, manifestação pública, meditação transcendental, fofoca ou tatuagem. Toda forma de comunicação vale a pena!
Como eu não sou ativa em nenhuma rede social, dependo de vocês para me ajudarem a divulgar!
Ainda falta um tempinho, mas para quem terá que se deslocar até Minas Gerais para o lançamento, como eu mesma, é bom um pouquinho de antecedência.
Espero ver vocês, suas famílias e seus amigos lá!
Um beijo agradecido,
Maria Bitarello